Ela vinha com facas, já eu
Tinha tesouras na cabeça
E durante a luta pela liberdade
Pela verdade ela foi laminando
As enfiadas que me cortavam
Quando as minas rebentaram
Fogo laranja
Numa cadeira de luar
De águas de manjar
De qualquer forma
O chão vasto era aquele
Repetir de submissos
Sangrento desflorado
Que, não cabe num poema
Num tempo com tempo
De rosto infinito a desconstruir
Num tempo com tempo
De rosto infinito a desconstruir
Chegaste como um monstro
E tinhas na voz a ternura
Feriste-me de morte com a tua
Doce inocência, e desde então
Passei a amar um coração
Surdo e cego perdido na doçura
Luminosa que sempre imaginei
Para me levar os cansaços
Todos os cansaços tiranos
Se me ouvisses uivar meu amor
Crescemos e voamos e
É irrelevante como de
Onde vimos onde fomos
Poderias partilhar a tristeza
O medo a raiva as ânsias
Era suposto seres esperança
E amor onde está uma rosa
Eles não esperam amor
É pura perda de tempo
E o teor o volume... Sinto
-me tão cavo no mundo desabitado
Tu não gostarás de cair
Quererás partir e se
Acontecer lá estará alguém
Para te enterrar. Eles não...
Nós crescemos e voamos. Sinto
-me, sim, tão
Cavo neste mundo desabitado
É mais tudo
É mais tudo
Tudo é-me é-me
É-me
Estudo
Eu não sou o outro
Mas de fato sou
A esta hora este outro
Sem estímulo, motivo
Creio que no caminho
Que pari diria
De coração quase quase
Branco
Branco
Enquanto as casas exportam pratos transitórios
Moldo-me à mesa a vinho gelado
Repleto de bichinhos na mioleira sem pensar
Porque razão não tomei café hoje e não
É que não sinta amor, aquele mau caminho
A máquina de lavar murmura-me a falar disso
Mas agora o que me está na concavidade da alma
É a roupa para passar a ferro e o poema atado
A esticar a corda Amor
Triste norte duma bússola convexa
Um suposto peso
Encolhido: Perdão
Eu não quero incomodar
Queria apenas livrar-me
De mim
Confessas que és
O sol e a chuva
E o vento às vezes
Não perdeste
Os olhos e recusas o brilho
Sonhaste com uma casa eu
Vi na noite escura
Muitos gatos
Senti uma vontade de ir
Mais longe
Além da face oculta da lua
E onde está a humanidade!
Muito bem, há
Portas borboletas letras e;
E onde está a humanidade!
Muito bem, há
Portas borboletas letras e;
Descobre tu
Onde está a humanidade?
Onde está a humanidade?
Ouve-se silêncios
De preconceitos
De pedras nascidas
Lamentos do brilho vento
Da prata oxidada
Das mantas de Satanás
Das mantas de Satanás
E tantos santos
Azuis construindo
Azuis construindo
Raposas ouriços
Tudo em pedra para
Amanhã
Eu, toquei
A guitarra
Desafinou
É normal, e agora
Tenho de a afinar
Outra vez
Nascido sem cheiro
Foi peixe na serra
Sonhador na frescura da relva
Levou gravidezes a maternidades
Vidas que, lançaram trigo ao mar
Misturado com as cores
Puras de sois e luas. Eu também fui
Imortal e estou agora sentado como
Tu perto da última noite recordando
Cada natal e o erotismo da virgem
Tu perto da última noite recordando
Cada natal e o erotismo da virgem
Maria que me encantou
Esqueçam-me
Também vou
Esquecer mas não
Esqueçam
Esta vida dava uma pintura azulada numa folha de papel reciclado, até porque na memória não tenho apenas um sacrífero mas um gato por lebre assanhado. Há dias assim. Noutros