Ficaste aí pendurado pelas vias aéreas
Arder célere exposto à fonte pulmonar
Como se não bastasse tens uma mão
De remendos nas artérias reparadas
Durante o ascendente caminho árduo
Da cordilheira do atlas a leste do fim
Entre a tarde e o meio dia, ainda na
Esperança de chegares à tal manhã
E aqueceres esse copo sem poderes
Portanto, sem sopro algum que te valha
Não sabes se estás preparado para o que
Possa vir. E pendurado provas a noite
E ardes, ardes tenso e culpas-te como
Se o canguru andasse para trás e o pincel
Pintasse tudo de novo num pomar sem
Areia mais resguardado e protegido. Estás
Aí pendurado, tens pó de tijolo na gola
Tornou-se num velho vaso de barro
E crescem sombras no seu interior
Não como ao peixe na rede lutando
Mas como ao ramo levado pela água
Ainda terreno de um outro desejo
Que não o de abraçar a escuridão
E porque perdeu quem foi deveria
Virar-se, sacudir a toalha ou não -
Mais acordarei desta morte tecedeira
Apesar de tudo, nunca vi o amor
Como algo de somenos importância
A questão é que ensinaram-nos
Que há coisas mais importantes
Se eu lhe disser eu amo-te ela
Assusta-se e chove silêncios verdes
O novo homem, o cão e o mensageiro
Agora com mais idade vê o imóvel
Onde parei - O ouro verde onde assenta
O coral vermelho sangue azuleia
E tudo é mais novo mais pequeno mais gigante
Mais incertezas menos - assim é que é
Menos chama
Mais velho também é novo
Talvez haja mais que a papoila à espera no túmulo
Mais um copo - uma esperança
Concentrado na cor do açafrão
Onde está, onde nunca esteve e já esteve
Acima do chão desaparecido
Olhando a lua de neve e o ouriço com todos os seus espinhos
Tiro os olhos
Ponho-os de lado
E já não vejo
O vermelho azul
Fazendo a barba
Escrever é devolver a um credor o devido, e é carência, deslocação, é desassombrar assombrar abandono e amparo, eu escrevo para despedir descobrir aprender melhorar, escrever é como sexo, terapia alimentar, é ter memória conversar tomar consciência, exercitar, traz dor prazer e tantas outras sensações, mais tarde eu compreendo, escrever fomenta respeito e cuidado, é uma loucura. Escrever é como amar, o caminho mais difícil, mas vale a pena fazer o correto. Eu não escrevo por palavras, eu expresso-me pela própria vida
Para que serve seguir?
Para ser inativo e plantar o vaso
Fugir privar acomodar, inexistir
Quando ela morrer quem dirá
Ela não tinha tomates, dormia
Ou vazia entre os lençóis dobrados
Dependendo de onde estivesse
Nem ela sabe bem o quê, ninguém
Há força lucidez e amor no ato de andar e bloqueio a si mesmo no de seguir
Ao gato anfíbio prefixo Luso
Importa aquele que dá graxa
A Timberlands no respaldo
Do círculo eternizando o pé
Eu voltei-me para ela e disse:
É verdade a história
Adormeceu durante a espera
Nas impressões das mãos
Buscava nas pedras o vitruviano
A estrela de cinco pontas
E as rochas são pássaros mortos
E continua a mentir-se:
Esta noite sou eu uma vida nova
Amar o mundo e querer estar nele dentro dos padrões é um exagero. Eu permito-me viver por educação e limpo-me, por exemplo, fazendo da raiva quando a sinto por A mais B surda
Escrevo para evitar o lugar do morto e não acomodar a própria sombra, deste modo privo o cão e a obstinação do herói. Escrevo, eu não escrevo, eu passo o bacalhau por azeite e bebo o vinho do chafariz dos canos
Quanto baste no
Brilho da lua cheia
Cabeças atrás, ao relento
Anzóis espetados no céu
Corações à frente acorrer
Às cinco da manhã, os porcos
Mijam óxido de enxofre
Que é como alforfón
Para uma povoação de gatos
A leste das amarras
Para onde parecem querer voltar
A liberdade que conheço e prezo
Está agora na ponte ameaçada por
Mais uma ninhada de ratos invernais
E gomos de laranja somos peso, água
E no meio do azul noturno, cinzento
Enquanto eu deixo crescer a barba
O futuro corta
Procuramos, relutantes em, ver
Partimos para longe na procura
Do que está perto por descobrir
É difícil não me lembrar que estou só
Como difícil é lembrar-me que estou
Só porque tenho estado sempre só. É
Difícil não sentir o frio como é difícil
Sentir o frio do apartamento. A verdadeira
Loucura é pintar um rio numa parede como
Não pintar um rio que se fecha por se estar
Eu não gosto de letras não gosto de estrelas no ar não gosto de vento nem de ver flores dançar. Eu não gosto de muita coisa. Não gosto e não gosto pronto. Gosto de avivar a cosmicidade do amor e respeito
Não gosto de corações e pulmões doentes. A primavera vem no próximo avião
Eu deveria ter posto os olhos na sombra
Não deveria ter amado odiando mas fui condescendente com a mesa onde comi
Enfim, as nossas frustrações levam-nos ao canteiro do rebanho Dolly
E o vazio é um prato bastante comum, é
Como o medo, o látego por um canudo que nunca chega a ver
Neste mundo ao lado das coisas, do outro lado
Da razão
O coração tem por hábito alardear e pode ser um ponto
Desafiador
Não entendo por que dizem amém
Eu entrei saí e continuo sem jogar as cartas
Procurando preencher
Toda a humanidade que recebi até aqui foi um caroço de mãos que sempre esperaram que lhes devolvesse um pêssego hidratado e eu não sei o que fazer ainda hoje com todos esses momentos difíceis para mim que consumiram parte do amável do urbano do móvel, e torna-se difícil acreditar no amor, no futuro, razão pela qual me mantenho afastado, lamento
Ainda assim não me sinto feio, creio que nasci peso e voltado a ele depois da elegância da primavera. Depois da inocência voltei várias vezes à vida mas hoje está difícil livrar-me do mundo
E assim tem sido, vens rodando infringindo o limite de velocidade na solidão da autoestrada entre a escuridão do dia e a claridade da noite, e quanto mais andas para trás para te apanhar mais perto ficas de me perder totalmente. Será o mundo tão responsável pela desilusão, e nós, não temos a nossa cota-parte de responsabilidade, seremos somente herdeiros, não somos também doadores? Preciso que encontres o desvio invertas a marcha faças um esforço ames e andes para a frente, o problema é o desvio. O que lá está já foi. Olha para mim. Cuidado que, depois do acidente pode ser bom mau melhor pior não haver nada, ou somente nada. Olha, eu não quero; ou quero, às vezes penso que quero, e não, eu não quero morrer já
Quando eu perder a loucura perderei o mais interessante
Quando eu perder o prazer terei morrido
Abstraio-me porque o mundo é uma tragédia
Se amar é o controlo um ano de vacas gordas inexiste
Petrónio: mundus vult decipi, ergo decipiatur
O passado é uma experiência na fase REM, a vida um presente a olhar para para frente
Tu e eu não fazemos continência
Não nos ajustamos à base da bandeira
Nós somos como a liberdade
Ninguém nos pode dizer o que fazer
Quando e como
Seremos talvez mais semelhantes aos pássaros
Às patas da constância, ligadas à natureza
Que as máquinas
Tu primavera deves encorpar para continuares sorrindo
Eu nesta altura estou a ser engolido pelo mundo
Tu e eu somos apontados, não têm mais para dar
Pelo menos por enquanto
Tu e eu somos curiosos, o que não será lá grande virtude
Tu e eu, chegamos em circunstâncias diferentes com gênero distinto
Em tempos dessemelhantes e tu e eu
Tu e eu não viemos para encaixar
Sequer manchar as ovelhas no banho
Tu e eu não fazemos continência
Questionamos
Há quem diga que somos irmãos
Estou desarmado, só não estou nu porque já tenho esta idade e procurei sempre não toldar o campo de visão nas lágrimas que foram surgindo. Pela primeira vez temo não vencer, a luta pela vida, a quilómetros da floresta, depois de afranquir o mundo. Será creio um sinal da minha pouca inteligência, ou da inocência de um menino a olhar para as mãos a esboçar as rugas, sujeito à condição, à finitude, à mortalidade. Estou preocupado, não com o lugar para onde vou, mas com o que resta, tudo isto é novo, e nada; mas nada está ainda terminado
No fundo do baú aguardava
No escuro sobre um lenço
De tule premium atemporal
Para o cabelo a sonhar com
O cavalo e o cavaleiro
Queria cheirar o aroma
Do cabelo bem tratado queria
Mais que hipostasiar
Embora eu não visse ninguém
Queria que fosse alguém
Tens de acabar com um hábito para viveres mais tempo e não tens conseguido perdendo tempo no tempo andante sem trégua perdendo quem se perde no tempo e há um tempo para as coisas e outro para o tempo. O tempo está para o tempo como a desculpa diante do acontecimento funesto. Mas onde está a vida à sombra da desculpa! Tu não te podes desobrigar de amar, contudo, alguém desamado não ama, representa o sublime e desenvolve a mente para viver, e fazer sentido, através do prazer, quantas vezes do triste enlevo, pernicioso. A mente é aquela traidora e o coração orate, o tempo traz a sentença e antes tens de decidir. Morro assim ou assim. Às vezes é essencial deixar cair uma órbita para reaprender a ver, a andar. Nesta altura da vida sem amor, não diria sem amor, mas; terás de te dominar, esquecer e lembrar. Eu também gostaria de desfazer aquele tempo, aquela parte do passado, aquele momento em que comecei a fumar e não é desculpa dizer isto: eu não sabia que isto fazia isto. Mas de fato isto faz isto e aquilo aquilo. Podemos amar a verdade ou a vida, podemos amar as duas e escolher das três uma. Chega um momento em que temos de decidir. Tu és a tábua e não decidindo escolhes. A ruína é perto da desvida. É necessário ir mais longe, procurar um caminho diferente na mente traidora, refrear o coração, indizível, alongar o tempo da consciência e no mínimo, começar a andar, transpirar, reaprender o sonho cantar a lâmpada afiar o bico meter os pés ao ar ao cheiro como - Sim - Um sol de fogo - Claro - Eu hei-de ir mais longe que o fim do mundo. Olha, o rouxinol
Portanto de regresso à antecâmara da noite
Aonde o olho se põe e não há um botão
Para desligar a máquina do céu. Eu jamais
Me senti belo e a ânsia nascida da escuridão
É como a colheitadeira colhendo pera manca
Na verdade eu não gosto da vossa casa
Da enormidade que não compreende a substância do natural
Do chão que morre e não morre, eu
Eu não gosto desta terra
Eu não gosto deste país
Gosto do pastel de nata
Eu não gosto dos poetas
Gosto de alguns cujas obras desconheço
Também não gosto dos outros
Da música do Stand Up dos centros comerciais
Gosto do pastel de nata gosto
Eu gosto de vinho francês e gosto
Do pastel de nata
Agora que o chão se apresenta bastante humano
Olho para o ar, a sepultura aberta não ofusca a beleza
Das flores silvestres a quem grato sou pelo sol
Que brilhou ainda que se ausentasse do salão
Cheio a espaços pelas manchas na roupa interior
A apresentar-me à noite a acender um fósforo
A libertar a lua brilhante a oliveira agradecido
Por todas as auroras boreais orvalho e mais
E eu, disse à luz da farmacia
Ah eu quis que fosses minha
E não quis que fosses minha
Quis que fosses tua, e minha
Tudo é o que se quer, isto é, aquilo é e pode ser
A maldade das grandes coisas, a exigua bondade das marés mortas
O paraíso dos finados, o cheiro do escamandro
Ignoto de si mesmo. Eu também
Sonho nos intervalos do langor
Sempre com a mesma brisa nupcial
Borboleta de coração de oiro rosa, selvagem
Afastando a lassidão do carvalho oferecendo-me
Um minuto xanto, um minuto além do tempo das pedras
Tal cavalo de Aquiles voando com a flor do vermelho ao púrpura
Cuja natureza sofisticada plena de cores e tons
Como todos os dias todos os dias vive e morre silenciada
Medronhos secos em xanthós sedentos de eternidade...
Isto é; é o que é, é o que é
Como a planta deste vaso que outra podia ser
Vida modesta
Cheia de sonhos e de pedras
Marcada de azuis distâncias
E abandono
Vida de bem que trouxeste
Todos estes
Espasmos horríveis e a paz
Cedo demais
Eu, devia ter sido bandido
Ou nascido
Se alguém for como eu apreciador de uma higiene cuidada ao ver a sua sensibilidade ferida pelo olfato vai pensar como eu, cheira-me tanto a merda, e isto é grave, embora fruto da condição mas ainda assim, é algo que me descora e cora
Que fiz eu!
Fiz merda e mesmo assim por momentos consigo iludir-me e pensar, amanhã ou depois vai estar um belo dia
Que grande pedra
Sozinho morreu!
Sou erva daninha na senda dos medronheiros
E eu faço-os sentir vergonha
Eu sou como o cair do dia
Porque no mundo há chuva
E amores para ser guardados
E às duas por três quando fechava os olhos
Via um porco fazer uma árvore de natal
O animal sorria a árvore calava por sinal
Que toda a povoação louvava Ate
Que os deuses viviam na lama
E os porcos no céu
E eu só tenho umas mãos
Toda a gente tem alma
E eu, só tenho calma, toda
Janelas que estavam fechadas estão abertas
Outra vez. Destranquei a porta, abri-a
Fui buscar o jornal voltei e deixei-a apenas
Com o trinco. Será que vai chover
O dia está incontávelmente bom
Erguidas as mãos ao infinito
Ainda esperas que ela chegue
A escorrer água pela secura
Dos diamantes dos chapéus pork pie
Aprimoraste a colhida cor da noite
Servida pelo azul da pedra dos cães
Participaste agora vais sair
E recusas ser incluído
O lençol de vidro. Indie
