Porta, Alberto Moreira Ferreira





Já disse e não disse
Que o encontro com a lua
Devolveu-me sonhos
E a esperança emocional
Trouxe-me até aqui
Não sei se é tarde, cedo nunca é certamente
Bendita loucura que se alojou em mim
De outra forma já tinha perdido
Matado-me morrido, doravante errado
Perdido o andar e o momento
Em que penso
Na mecânica no vigor na coragem no louvor
Já disse e não disse
Que me esqueço de mim e lembro-me todos
Os dias do amor





Via aparecia agigantava
Entretanto purificava
Abria e fechava, e assim 
Continuou, a ver, a encolher
A encolher a encolher
O barco resgatado da luz 
Mais longe a cada metro
E pequeno a desaparecer
Como um gigante, arder
A deixar de ser visto 
Como o amor e nem um adeus 
Um lamento, um choro
Para trás ficaram abelhas
A zuir em borboletas 
Prontas a levar ombros
Ficaram pedras vazias, distraídas 
No tropeço do uso que
Um dia farão semelhante percurso 
Nas margens de combustão e lama
Já nem o sumo
Pontífice rezava





Há o momento enchente e depois 
Um transbordo
Eu vivia entre o mar e a serra
Via violetas no campo, era um poema
Cujo futuro nem sonhava, e havia sempre uma perda
Alguma coisa escondida por que
Eu não percebia
Tinha um comprido cabelo e lindos caracóis 
Que me agradavam
Pele sã pouca coisa inocência vida no interior
Rebeldia uma gaita e mais nada. Ouve
Todos diziam à minha avó:
Que linda, é tão bonita a sua menina
Eu ouvia a morte da boca desses poemas
Que não entendia
Mais valia dizerem
A sua neta parece tudo menos um pinguim
E é tão feio
E feio seria, ou não, ou pelo menos não tão feio quanto me vejo
Agora
Sei que não sou
A bicicleta no ar
Aquela nem aquele nem a outra nem o
Galo do bar






Cá parece que a vida foi congelada. Aqui, neste lugar estigmatizado, de parcos recursos, sem um futuro brilhante, faz frio, e todos os parados andam, os que ainda conseguem andar, e eu que, ando nos sonhos sem parar, vejo-me grego para andar. Neste lugar igual a tantos, de exclusão, maioritariamente de subidas e descidas, aonde todos parecem gostar de macacos às costas e de cães pelas mãos, aonde impera a vaidade e o preconceito, onde ainda se morre de fome, aonde se acende e apaga, onde todos falam do coração e a razão, não vale a pena, aqui, onde cada vez mais se deixa de existir às mãos da solidão, de fato, parece que a vida foi congelada, ou então, estará na igreja, a pedir, a rezar
ou no céu a aquecer a mira
nas mãos do nosso senhor








P
ar
don
la lune
é a minha
coluna, é o meu
aquecimento central
é o automatismo, o motor
das minhas pernas. através do
seu efeito gravitacional é a causa
da robustez cardiorespiratória, ela tem
o poder, sim, ela nutre a paixão, o desejo
de
respirar, é a minha porta, vida da minha vida, a única a; magnificente 
é o meu tecido formado por fibras, o músculo o coração é o meu
retiro espiritual e é tão, vital, a lua, a linda falua que lá
vem, ah bem, rosa, ela é, o meu grande amor

Porta À Vela, Para Uma Lavradeira 





Meu amor, tu és a majestade em que eu puro ardo por respeito à natureza
Meu amor, tu és a rainha que me liberta e me prende pela paixão sem fim
Meu amor, tu és o próximo dia, esteja eu onde estiver
E o amarelo que o desejo doura e eu sinto como se fossemos
A magia da lua a liberdade do sol, meu amor
Que saudade, ai
Que prazer, e diante a água fria, meu amor, minha flor 
Querida
Amor há que fazer






Hoje vago, tenho ossos nos pulmões
Que me afastam os olhos do tempo
Penso na esperança, o motivo do amor
Penso também no prazer que faz amar
E nas horas da sombra que se barbeava
Pela sua imponência, eram horas avulso
Penso no meu amor que tem outro amor
Penso nos barcos de porto em porto
Na casa, nas casas fora dos lugares
Em quem não sabe quem é por temer
E que as rochas passam, diria desoladas acaso
Estivesse despido
Não escondo o medo e ainda que diminuído sobre o nada tudo
Soube-me a vida 
E ela
Parece-me tão 
Bem






Eu não sei o que é poesia
Será escassez, opulência
Se soubesse abria portas





Dirigiu-se ao mar, e o mar
Tinha en ovos para acorrer
Buscou nos céus e os céus
Viviam na realidade dos números
Foi ao encontro da terra
E a terra rodava suspensa no ar
Ela, precoce amadureceu
Instalou-se o vento norte
O sono, suava água de bétulas
No lençol tecido de pedras geladas
E o planeta cortado no grito sentia
A noite, já era tarde
O desprezo do gelo 
A angústia e no fim não se ouviu 
Sequer um lamento
Do suposto peso pela bala
Quantas horas perdidas no tempo!
Não sei, nem sei se
Alguém sabe





Este coração ainda é terno e canta bem, não ferve em casca de limão e cravo da índia e nem sabe muito bem como lidar com o amor, refletindo no espelho dourado sensibilizando-se sobre as novas cores disponíveis, numa limpeza profunda, isento da raiva e do ódio que nos extingue, aceitando a mudança, o ritmo de circulação e a saga da luta no último porto, do último eu, que ainda sonha, razão pela qual o faz despreocupado com as novas cores da red carpet dress. Este coração continua a trabalhar, a importar o anel a maçã, a controlar a temperatura, a presidir ao último porto sem consumismo desnecessário educando toda a vida do interior. Este coração reflorestou-se combatendo as alterações climáticas e a erosão, a secura do bravo, dos mundos, dos barcos, e hoje no último porto depois de ter abraçado todos os portos, todos os eus, todos os mundos por onde passou e ter recusado caminhos e pontes e ter procurado uma rosa branca na black magic híbrida de chá, ainda anda, navega, ainda é terno e canta bem. O amor.






Nas ondas do candeeiro
Vês o mar constritivo
No interior: hás de amar as rosas
Por que tudo o resto é transitório
A máquina queima-te por dentro
Mas, depois choras, evocas a beleza
E não queres
Que os nossos filhos rezem




Calas-te e foges, foges com a língua
E os dentes - Descobriste
Na ciência que ninguém morre de amor
E eu estou a morrer
Ainda tenho a cama quente e afinal é possível
Sinto-te fugir como todos os dias
E tenho para te dizer
Sim, é possível morrer de amor





A humanidade passou no comboio
Tu vais de avião eles são levados nos automóveis
A liberdade implica compromisso, exige labuta
A liberdade requer abertura e as noites são ambíguas de escuridão
Eu era menino e tinha falta de cheiro
Palrava normalmente como as primaveras, agora aceito que a noite ergue paredes
Por vezes sento-me no escuro como um pássaro morto
Às vezes ainda vou à janela ver a humanidade que passa no comboio
E sei que a liberdade carece de cuidados, será uma obra-prima
Num plural singular. A mais bela. Menina






Na terra só há respeitosas pedras
Umas duma cor outras de outras cores
Não sei se haverá imparciais
Se houver serão pedras raras
À exceção das raras as pedras deitam-se ao sol e recolhem ao almoço
Há exceção das imparciais e todas as outras vivem na mais colossal distância
Eu devia amar as pedras como se houvesse esperança
Como se amar pedras valiosas fizesse alguma diferença
Talvez haja pedras raras, não sei
Na terra só há pedras






Tudo é pedra, portanto nós
O dispêndio da economia
Velhas pedras sob os abrigos das casas
Como se o amor fosse pedra e a solidão
Que se enraizou como objecto de pedra
Fosse pedra como os números de pedra
Tal a moral de pedra pela pedra criada
O mar é de pedra o rio é de pedra
A montanha é de pedra, o mundo
É todo de pedra, um saco de areia
Pedra malvada, como deus à defesa
Que horror, tudo é pedra e o produto
Da pedra pressupõe este de pedra
A dias do natal, a pensar no amor





Deixo o amor no jardim
A palavra guardada
E parto para o soco
Esta é a verdade total
Eu não inventei nada
Vivi a alegria a morte
Toda a hora que vale a pena viver
Fui árvore, ninho, ave, o mais alto
Que pude fui
Amans, -antis. Um dia
Vive-se e um dia
Parte-se para o soco






Adeus inferno
Adeus doçura
Adeus fronteira
Adeus beleza
Ah bela Rosa
A minha porta
A minha flor
Adeus, fantasia!
Adeus coração
Adeus espumante
Adeus fogueira
A minha porta
A minha flor
Ah beleza
Adeus dia
Adeus amor





Nestes dias de catarse sou alérgico ao ar que me rodeia, inquieta-me o caos onde aprendo a higienizar, mergulho nas minhas tristezas, nas dúvidas, sinto-me oprimido com a economia e uma certa excitação, assaltam-me ventos e ecos, e a imagem de um corpo erótico numa visão de sonho, a sombra vai vagando, preciso do perfume da lua, aquela cujo sexo me derrete, e só aquela, adormeço e acordo, levanto-me e bebo o isotónico. Estes são dias que me transcendem e nutre-me o que falta. O amor.




A madrugada vai alta
A noite fria é quente
Quanto mais o sol chama
Mais a lua foge

No céu murmura um fecho
De pepitas de prata e ouro
Há a questão do preto: Por
Ocasião dos cansaços
Que interessa o amor

Quid deceat, quid non
No canto do cisne branco
Importa vencer o tempo
Bastar-se e compreender 
O quão
Profundo é o amor





Manchas nos pulmões e no céu 
O automóvel no sidepark estacionado
O corte na pele foi a Gillette a barbear 
As vistas no lençol azul do mar
Sinto a noite, a falta de apetite
Sinto pelos sentidos, pelos cegos
Falta o abraço aos olhos ermitas
Afastados das sete horas e a ternura
Que creio não merecer 
O lobo na gaveta da mesa de cabeceira 
O fusco, luz sem radar






Chove turistas nos telhados 
E souvenirs lembram-me
Que nunca imaginei que assim fosse

Há tanto fumo nos que ainda pescam
Esperança nos que morrem 
E muitas bocas abertas nos barcos

Depois há isto que só nós sabemos
Dor e dor
E esta coisa de dar passos 





Numa reflexão de crepúsculo
Depois do infinito, depositada a arma 
No percurso pedestre do lince
Penso na noite que sempre me foi incêndio 
E na madeira que deu à costa a cinza
Não há qualquer mal no escuro
Há uma certa beleza e mistério 
De noite o imóvel pode andar
Não há engarrafamento das sombras 
Retorcidas pela luz de bico
Do cão no encalce da lebre morta
Não é a noite que eu não entendo
É o vazio dos deuses, a sirene do caçador
Dos bosques
A armadilha premiada






A
s
sim
É, assim
Tem sido, ela
Lá, eu, cá, como elos
Soldados lado a lado somos
Cataplasma, pois na verdade
O meu sorriso no dela principia
E, porque a vida é exigente nós
Vamos mais longe de mãos 
Dadas, a colorir. O quê! Eu
Todo espinhoso e ela toda
Decente muito amada sabe
Que choro pelas suas copas
Que eu... Ela é tão bonita
E completa sim, ela é a
Minha
Rosa
Árvore Natalina||





Deus desaparecia e revelava-se ao dia no espírito do invernoso
Na estação da escuridão visões aconteciam
Aí o pálido azul dominado pelo frágil, pelo desprotegido 
Entorpecido pelo silêncio sombrio da floresta
Cantava a foice e o instrumento de percussão de cabeça pesada 
Usado para bater e pregar e deus aparecia
Deus desaparecia para cegar e aparecia para cegar
Adesivos nas cadeiras do café falavam de ideais
Social é o dia de todos os santos que tantos leva ao cemitério 
Nessas noites ouvia normalmente o chirriar duma coruja
Uuh uuh... pensava numa bela laranja a falar de liberdade 
Eu terrificado, eu que cheguei a pensar ser poeta
Uma parvoíce, como iria sobreviver? E mais, lembro-me 
Das t-shirts de Che Guevara no teatro e também
O que ainda hoje desconheço, quantos queridos 
Ficaram em Auschwitz 






Este já tem o corpo armadilhado
O fogo preso a árvore estropiada
Anda às voltas com o móvel imóvel 
E de nada adianta fazer vento
Nem dividir a bicicleta para reinar
O sono é um livro, um narciso
Que diria, esquecido, pouco humano
Este tem andado a fazer um sol
Um que multiplique
Que traga beleza à terra esperando 
Que ela não a estrague com tinta da China
Que leve a dor, um que aqueça 
Que arrebite uma flor





O caminho não é o caminho
É a cadeira onde estamos sentados
Vai até onde o cão lambe as suas feridas
As lágrimas infectam
E ficamos na praia com a areia fria
Como as ovelhas na hora de ficar
Que nunca viram
O rebentamento das ondas, o desabir
Do inocente, do cão




Chovia pregos no deserto e eles aumentavam as vedações para a criação de louro. Durante aqueles dias fecharam fronteiras e aumentaram as atividades sociais em torno das nuvens formando plantas de ferro com as geadas do interior. Pela manhã o orvalho descongelado branqueava os caminhos por onde haviam passado os muros, muros pré fabricados inquietos com bico curvo e garras afiadas de gavião. Hoje o museu da Caramula expõe as suas penas em montras de perfis Halloween como autocolantes decorativos para gesso em pó, pode-se até cheirar o sangue do pavimento cerâmico com as suas presas... Eu cheguei a pensar no quão amigo da natureza e da humanidade é o modelo económico da casa real dos pregos, bem como nos genéricos distribuídos pelas startups de natal, e no entanto, das suas presas, nunca mais nada se ouviu.




O tempo não é um ladrão
É um repositor de verdade






Às vezes vejo no princípio do inverno o lírio roxo
Cuja inocência toca o sol da mulher a dias e a pureza
Canta a liberdade sem saber
Às vezes entre sombras vejo um futuro
Mais que bons maus poemas
Mais que ideologias mais que efemeridade
Às vezes na primavera vejo pontes
E no fim do verão lá aparecem os nódulos
Rios de pêssegos da orvalhada
Às vezes no outono não vejo nada
Do açafrão na terra molhada






Quem sou eu na última janela
Como cheguei eu aqui carregado de lâmpadas
Como explicar a sombra da super porta com esta idade
Como criei um estranho na janela fria
O que posso fazer senão rever o caminho pela arte
Por outro dia, outro lean
Agora no último barco, nada
E não posso deixar de pensar
Fosse como fosse
Senhor ou escravo isso agora
Pouco importa débil pássaro 
Beija flor, olhos cerrados






A adoção do cão ocorre no auge da frustração 
O cão não te vive, é a estátua que vai contigo 
Faz chover na noite carroças de pistáchio 
Chora e lambe ovos de festas e alface rija
E nunca será um amigo de verdade 
Será sempre a tau hiperfosforilada
Sem voz é conduzido para onde o queres levar
O cão geme como a galinha com gripe
Aviária! Digo eu que tento 
Outra coisa. Humanidade!
Se a humanidade é o extravio cão estátua
Não há nada para louvar






Depois de eu morrer
Diria que o vento jamais foi desencanto 
Que o isolamento não chega pela decepção 
E que o coração para lá do jogo do espelho do rio tem margens belas
Depois de eu morrer
Não haverá mais móveis imóveis e eu
Dormirei sereno com o coração frio






Eu desejei sempre a tua presença 
Olhava para o relógio, via as horas
E agora que te ausentaste - E de
;Que nos serve as horas mortas
Agora as árvores não são mais verdes
Mas tu, continuas aqui, presente






Os olhos breve eternidade 
Cuja luz vão levando pelo ar
Sugerem a tarde pela noite
Da tristeza triste poesia

Olhando o silêncio das coisas vãs
Tive a sorte de ter uma alegria 
Por isso não registo devaneios 
Sequer a saudade para chorar 

Os barcos de seda não teem
No amor a certeza e eu tenho
Vejo na tua coragem a arte
E eu quero sempre mais e eu

Depois não tenho muito a dizer 
Sobre os milagres em que não acredito
Além das benfeitorias do amor






Não queria e; ter amor é ter destino
Numa ideia peregrina, romancesca
Adequada, todo o amor impossível
Não desaparece e apenas se afasta

Todo o amor impossível é, possível
Eu, fiquei algures por aí sem norte
A minha ágata desapareceu e eu só 
Andei sem saber o que fazer comigo






Antes demais esperava ver a loiça 
Arrumada no escorredor mover-
se sem receio de perder o brilho
E a neve do candeeiro pintar a carta

Quantas chávenas viram cair o cabelo
E a cadeira verde da sala amadurecida 
Arrastar portas fechadas como se a leste
As portas saíssem do sono sem névoa 

Sem chave o ovo projeta uma estrela 
O velho parado pode ir a todo o lado
E à luz das minhas aves o lume não cala
A água do coração, a porta, a folha 
De madeira, o ferro nupcial

Queremos abrir a passagem
Sonhamos. Lembramos e não 
Lembramos como chegamos 
                   Ao mar





Enfrenta esse dom que tens
De nos abandonares, leva
O movimento marcial que 
Aqui faz frio e traz de volta 
Traz-me de volta a humanidade 

Ad hoc - Ninguém se declara 
Pedra azul, noite, a caneca
A meter água e nós vemos
O frémito dos barcos a ir
Horizontais para a escuridão 

Anda, leva o bélico soprador
As raposas, os anjos, os cães 
Traz argila às costelas à
Boquinha do ovo cozido
Pomos o supera dor sobre as feridas

O amor secou e subitamente 
A malha ficou molhada
Chove que nasce lágrimas dos céus 
E tudo é negro, negro e azul
Curto breve negro e azul

As unhas de gel vermelho Ferrari 
Os dentes na mesinha de cabeceira
O rímel sinuoso, a pornografia 
Os croissants de cada manhã 
Os pássaros que se escondem 

Vitória Vitória - leva o supérfluo, tudo
É pedra kamikaze em grande escala
E então! Também tu estás morto
E jazes entre velas e flores cortadas
Não... Não! Imaginas o inferno

Leva os cabelos postiços da Trump
Tower a sede a fome o esquecimento 
Todos quantos sabemos mortos, nós 
Sabemos o significado de um certo
Grau de indecência

O teu filho morreu e o teu filho
Não morreu, não morreu em Jerusalém
Não morreu em Portugal, o teu filho não 
Morreu e morreu

Caro Deus, mexe-me essas palhas
             deixa-te de merdas e traz
Traz-me de volta a humanidade 






Tu és o que de mais divino,
A única brancura da minha vida,
A fronteira do meu delírio

Contigo tenho aprendido a respirar,
A deixar a penumbra, a extinguir
A noite, a sombra que me roubava
O ser, infinito

Tu és a magnificência docemente
Transformadora deste que se vai
Despindo respirando e conhecendo um
Bem me quer 

Rosa fogo, flor, o teu sorriso é o melhor
Motivo para um sol nascer e adiar
O ermo do entardecer, pelo blue sunset,
Obrigado menina, obrigado amor







Deitamos fora a criança
Porque achamos que não podemos
Sustentar a criança
Porque a cidade quer um arbusto
Eu nunca fiz uma maldade tão grande
Dentro do bolso tenho uma coisa engraçada
Que choca com portas telhados e braços
A criança que me tem dado muito trabalho
De quem não consigo nem me quero livrar
Eu sei que andam nos céus à pesca
Eu canso-me de deitar livros ao lixo
Não entendo porque são tão chatos
Adultos cansados tristes e aborrecidos
Enfim, certos livros estão melhor no lixo
Mas a criança, a criança feliz entre os pingos
Continuará à minha guarda
Quiçá para sempre (espero)
No bolso a pegar comigo







Que andas tu a procurar 

A tristeza, uma bomba transitória
A felicidade uma boa efemeridade
Olha o mar, não é tão imenso assim
A vida tem princípio meio e fim

A eternidade é como o tal olhar
Que se perde atrás das nuvens
E desaparece no dobrar dos sinos
Quando nada mais resta a vida 

Acabou E o amor vai continuar